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Quem começou - Ana Vicente
 
É sempre importante conhecer a história das instituições, pois essa história, inscrevendo-se no passado, alimenta o presente e o futuro.

Em 1995, a Dra. Maria de Jesus Barroso Soares, à data Primeira Dama, foi contactada pela Embaixatriz em Madrid, Teresa Mathias, no sentido de se realizar um encontro com a Infanta D. Pilar de Borbón, que pretendia dar a conhecer a Associação Espanhola Nuevo Futuro.

Manifestando o maior interesse, a Dra Maria de Jesus organizou um almoço onde reuniu a Infanta D. Pilar, a Embaixatriz Teresa Mathias, e outras senhoras, quer espanholas, quer portuguesas. A Infanta Espanhola descreveu a história da Associação em Espanha, já com cerca de 25 anos de existência e, dadas as relações afectuosas que mantinha com Portugal, disponibilizou-se para fazer a ponte com uma possível Associação semelhante no nosso país.

Foi em 1996 que se tornou possível registar notarialmente os estatutos da Associação de Lares Familiares para Crianças e Jovens Novo Futuro, para pôr em prática em Portugal o projecto. A Associação assumiu-se, desde logo, como uma instituição particular de solidariedade social. A Associação espanhola foi de uma extrema generosidade pois ofereceu o montante suficiente para a aquisição do primeiro lar, no Algueirão, além de partilhar com a equipe fundadora portuguesa a sua experiência e a sua filosofia.

Cabe aqui referir o nome de uma mulher que deu um impulso fundamental à instituição nesta fase: trata-se de Maria do Céu Gonçalves Lopes, que recrutou as primeiras voluntárias, que disponibilizou a sua própria casa como primeira sede e que conseguiu fundos substanciais para o arranque da Associação.

Foi em Setembro de 1997 que foram acolhidas as primeiras crianças e jovens no lar do Algueirão. Seguiram-se em 1998, a abertura das casas Amarela e Verde, em Lisboa; em 1999, abriu um lar em Vila Nova de Gaia; em 2000, no Estoril; em 2002, na Graça, em Lisboa. Em 2006, prevê-se a abertura de mais dois lares e o alargamento do lar de Gaia. Foram estabelecidos acordos de cooperação com a Segurança Social que financia parte das despesas dos lares. Contudo, como é sabido, a Associação tem que empreender muitos esforços para obter o financiamento necessário de modo a garantir uma boa qualidade de vida das crianças e jovens que residem nos lares.

Quando foi eleita a primeira direcção efectiva, a pessoa que aceitou a tarefa de ser presidente foi o magistrado Dr Rui Barreiros. Cabe também referir o trabalho desenvolvido pelas direcções que se seguiram: foram estas presididas, sucessivamente, pela Sra. D. Judith Martins Alves, a que se seguiu a Dra. Mercedes Balsemão. Actualmente exerce essas funções, desde 2002, a Dra Isabel Guerra. A Dra Maria de Jesus Barroso Soares acompanhou sempre a actividade da Associação e é desde a fundação, a Presidente da Assembleia Geral. Por sua vez, o Conselho Fiscal tem sido sempre presidido pelo Dr José Maria da Cunha Rego de Amorim.

Coadjuvaram todas as presidências, um grande número de pessoas generosas, sobretudo mulheres, que quiseram, solidariamente, apoiar a acção da instituição em prol das crianças e dos jovens. De frisar que a função da presidência ou de membro da direcção não é remunerada. Em conjunto com o imprescindível pessoal remunerado, tem sido assim possível prosseguir a nossa missão.

Ana Vicente

Sócios fundadores da Associação Novo Futuro